Restaurantes em Curitiba nos anos 50

3 de julho de 2018

Em um ritmo de crescimento e euforia desenvolvimentista, Curitiba assumiu novas feições no ramo da gastronomia com os Restaurantes em Curitiba entre 1950 e 60. Os aspectos físicos da capital do Paraná mudaram, pessoas diferentes e de diversos lugares migraram para cara, trazendo consigo as suas culturas. Como a comida faz parte da cultura, esse conceito migrou junto nesta cidade cosmopolita. As pessoas vieram tanto para morar como para fazer em Curitiba um espaço de negócios. Esses fatores contribuíram para o surgimento de novos estabelecimentos comerciais e adaptação dos que já existiam aqui em Curitiba. O ar de otimismo que pairava no Brasil, também pairava aqui em Curitiba. Novos restaurantes passam a surgir.

Restaurantes em Curitiba dos anos 50

Os Restaurantes em Curitiba inspiravam mudança e progresso.

Haviam restaurantes onde as famílias predominavam, principalmente para almoçar aos domingos. E para os sábados, os restaurantes que serviam petiscos e aperitivos faziam parte da rotina da comunidade curitibana.

Os Restaurantes em Curitiba eram centro de encontros e lazer. E hoje conhecemos essa cerimônia como “Happy Hour”

A clientela era fiel pois se sentiam bem naqueles locais para se comer, onde se conhecia pessoalmente e intimamente os proprietários e garçons e vice e versa. Estes inclusive se sentavam para conversar com os clientes e davam indicação dos melhores pratos. Com tal pessoalidade, os clientes tinham a intimidade para pendurar a conta e pagar ao fim do mês.

As lanchonetes, restaurantes e bares eram ponto de encontro para a prosa. Hoje inclusive, sabemos que muitos artistas curitibanos frequentavam os bares e restaurantes antigos de Curitiba. O que hoje celebramos como Happy Hour já é tradicional há 50 anos atrás. Vários eventos inclusive eram comemorados nos restaurantes: Casamento, formatura, eventos empresariais. Enquanto o país caminhava para a democracia, os locais para se comer também eram locais para debates políticos e também esportivos.

O restaurante era um ponto de encontro e sociabilização. Esta era uma das principais razões que atraíam e mantinham o movimentos.

Em geral, o cardápio dos Restaurantes em Curitiba entre as décadas de 1950 e 60, era composto basicamente de aperitivos e petiscos servidos com aves, carne branca e vermelha e assados ao forno. É após este momento que começam a surgir as churrascarias. Num momento mais tarde, as cafeterias começam a ser inauguradas em Curitiba. Estes pratos refletem a preferência e inserção da culinária e gastronomia na preferência do público Curitibano, caracterizado por comida de panela e alimentos mais secos, diferentemente dos cozidos e pratos com caldo, servidos em outras regiões do Brasil.

A feijoada era muito pedida nas quartas feiras e principalmente aos sábados. O risoto e barreado também elencavam os pratos mais pedidos, seguidos por mocotó, virado à paulista, rabada e dobradinha.
Esses pratos que eram considerados exóticos eram servidos em dias determinados da semana, atraindo o público que gostava de saborear comida boa que não se fazia em casa e que tinha sabor acentuado, sendo preparado por especialistas no assunto.

Restaurantes em Curitiba revelavam as áreas de desenvolvimento da cidade

Em cada ponto que se inaugurava um restaurante ou bar, significava que aquela região da Curitiba iria se desenvolver ao redor destes lugares para se comer, ou então aquela região estava iniciando seu desenvolvimento e os proprietários de restaurante iriam aproveitar o desenvolvimento da região.

Restaurantes de Curitiba começam a se diferenciar

por buffet, a quilo e a la carte e futuramente por rodízio. Neste momento surgem os restaurante de cozinha internacional com destaque para peixes, camarões, frutos do mar, carnes vermelhas e aves. O paladar do público curitibano foi ficando requintado ao tempo em que o desenvolvimento econômico fluía para o Paraná.

A preferência por carnes assadas, pertinente ao paladar curitibano contribuiu para o aparecimento das churrascarias a rodízio. Os restaurantes curitibanos aproveitaram a tendência e adotaram o sanduíche de pernil, hambúrgueres, carne de onça e cachorro quente nos cardápios.
Além do lanche, os restaurantes passam a assumir a identidade de maior conveniência. Mais do que comer, bares são pontos de conveniência e diversão, e claro, locais para se beber. Os horários de funcionamento começaram a se alongar. Temos a exemplo, o Bar Palácio, Mignon e o Triângulo que permaneciam abertos até de madrugada, possibilitando a frequência por boêmios e jornalistas. Políticos elogiavam esses locais como seus endereços preferidos para se comer e beber algo bom.

Ao mesmo em que ia-se perdendo espaço, os costumes eram regrados.

A cozinha tradicional e familiar determinava as normas dos Restaurantes em Curitiba nas décadas de 50 e 60.

Como se comportar e se vestir seguiam os padrões de comportamento da moralidade e bons costumes nos Restaurantes Curitiba e que estavam baseados na cultura e pensamento do tempo – local daquela época.

Alguns restaurantes eram redutos exclusivamente masculinos, como o Cinelândia da Ermelino Leão, Bar Stuart, o Buraco do Tatu e a Gruta da Onça tinham como pratos da casa comida encarada como “símbolo e fonte de virilidade” a pedida eram os Testículos de Boi.

Aos sábados, os “homens da casa” tiravam suas mulheres da pia e do fogão “donas de casa” para proporcionar a toda a família momentos de lazer nos bares e restaurantes. Falando nisso, mulheres desacompanhadas, acompanhadas de outras mulheres ou somente de filhos eram mau vistas pela sociedade.

Determinadas regras de como portar-se e vestir-se, bem como determinados padrões da moralidade e bons costumes predominavam nos Restaurantes que refletiam a cultura e modo de pensar do local e da época.
Em alguns bares, como era o caso do Bar do Palácio, a entrada de mulheres desacompanhadas não era permitida. Na Confeitaria e Restaurante Iguaçu, bebidas alcoólicas não eram servidas para mulheres, e não era permitido que casais se beijassem, quem diria a presença de um casal homossexual.

Esses fatos, hoje considerados machistas, começaram a mudar ao fim dos anos de 1960 quando as mulheres, principalmente as universitárias, começaram a frequentar os restaurantes e bares sozinhas ou em grupos. E futuramente isso veio a se desenvolver com a independência feminina e conquista no mercado de trabalho. O bar Lá no Pasquale, que ficava no Passeio Público, foi um dos primeiros bares a atrair o público feminino. Acredita-se que isso ocorreu devido à proximidade à Reitoria da UFPR e ao Prédio Histórico também da UFPR.

Nos anos de 1960, predominava uma cozinha familiar e ao mesmo tempo tradicional,

Que obedecia a culinária do “saber fazer” próprio de cada família que estava à frente do restaurante. Essas famílias foram protagonistas à frente da cozinha, fogão, bares e restaurantes. Zelavam em manter o bom atendimento profissional, mas mesmo tempo, personalizado. Os pratos dos cardápios podiam ser personalizados em detalhes, mas sem alterar a essência da culinária servida pela família à frente do restaurante.

Neste tempo, Curitiba não possuía uma culinária própria, e sim, uma enorme variedade de culturas.

Foi apenas a partir dos restaurantes de Santa Felicidade, servindo comida influenciada pelos costumes italianos, é que Curitiba passou a ter RESTAURANTES com cozinha típica. Os descendentes da Itália, atuais proprietários e antigos fundadores da maioria dos Restaurantes e Bares de Curitiba localizados em Santa Felicidade, trouxeram para Curitiba a culinária italiana. Incluindo as características europeias adaptando-as à cultura de Curitiba.

As especialidades da casa,  comidas preparadas seguindo culinárias específicas, identificavam e significavam a especialidade de cada BAR ou RESTAURANTE, assim como a identificação frente a concorrência. Os locais para se comer passaram a ter sua marca constituída a partir dos pratos que eram servidos, construindo desta forma, a sua identidade gastronômica.

  • A carne de onça do Buraco do Tatu;
  • A feijoada do Onha;
  • O churrasco paranaense do Bar do Palácio;
  • O steak au poivre e o strogonoff do Ile de France;
  • O fundue do Matterhorn;
  • O bolinho de arroz do Lá no Pasquale;
  • O risoto do Vagão do Armistício;
  • A costela do Caça e Pesca;
  • O filé grelhado da Churrascaria Cruzeiro;
  • O churrasco da Churrascaria Tupã;
  • A sopa húngara e o pot-pourri do Bar Paraná;
  • Os testículos de boi do Bar Stuart;
  • O camarão Martha Rocha da Confeitaria e Restaurante Iguaçu;
  • O cachorro quente do Triângulo e do Mignon;
  • Os peixes e o vatapá do Restaurante Colibri e do Restaurante Nino;
  • A comida do norte da Itália, tal como era e ainda é servida nos Restaurantes de Santa Felicidade;
  • E os pratos-do-dia na Sociedade Duque de Caxias, Zacarias, Gruta Azul e Rio Branco.

As clientela viveu intensamente esse tempo passado. Os Restaurantes em Curitiba contribuíram significativamente com este momento.

Percebe-se que o comportamento das pessoas refletia o desenvolvimento de curitiba, os restaurantes e bares acompanhavam e davam energia para a evolução da cidade.

Imbuída do espírito de tempos modernos, a clientela fazia das suas idas aos restaurantes e bares de Curitiba, um local para se relacionar com outras pessoas. Muito mais do que um lugar para comer, o restaurante ou bar também era lugar para socializar e celebrar a amizade e a vida.

O “atendimento perfeito” a “generosidade” do dono era feita através da proximidade. Assim era feita a hospitalidade destes restaurantes. Essas ações foram essenciais e incorporaram a qualidade afetiva à comida. E que a personalizava, criava a identidade de cada restaurante e cada bar. Compreende-se que os restaurantes “deram certo” em Curitiba devido a qualidade e sabor da comida servida e pelo atendimento cordial e atencioso, seja por parte da família proprietária quanto dos garçons. O resultado disso foi a clientela fiel, melhoria e aperfeiçoamento do atendimento de cada bar e restaurante para manter seu cliente sempre fiel, já que se determinado restaurante não fizesse, outro o faria. Tornando cada lugar especial.

Se as especialidades atraíam clientes, também motivavam a formação de grupos ao redor da mesa para saborear os pratos da casa, petiscos e aperitivos. É válido lembrar que o atendimento personalizado era outro fator relevante para a identificação de cada restaurante. Ou seja, o relacionamento pessoal foi fundamental.
Muitos garçons são são lembrados exatamente por aquilo que representavam: Simpatia, atenção, cordialidade e hospitalidade. São trabalhadores que sabem cativar a freguesia.
Realmente, os Restaurantes em Curitiba foram fundamentais para o desenvolvimento da cidade.

Fonte: Exposição Restaurantes e Bares de Curitiba nas décadas de 50&60 – ROLIM, Maria do Carmo M. B.

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